sexta-feira, agosto 05, 2011

Festas em Honra de Nossa Senhora das Necessidades


Os tradicionais festejos em honra da Nossa Senhora das Necessidades, realizam-se, como habitualmente, no segundo fim de semana de Agosto sendo este ano nos dias 13, 14 e 15. O arraial contará com diversas tasquinhas, bem como pista de carrinhos de choque, carrossel infantil entre outras atrações. O evento religioso de relevo será no Domingo pelas 17.00h com Missa Solene na Capela das Necessidades seguida da tradicional procissão que percorrerá as ruas da Vila no itinerário habitual. As animações noturnas estarão a cargo dos artistas convidados para cada uma das noites, sendo REBECA (Sáb.), TAYTI (Dom.) e o grupo CANTABRASIL (Seg.).

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quarta-feira, junho 08, 2011

A festa do Divino Espírito Santo

A festa do Divino Espírito Santo realiza-se no Domingo de Pentecostes, festa móvel católica, que acontece sempre Cinquenta dias depois da Páscoa, em comemoração à vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos de Jesus Cristo. Ela realiza-se em inúmeras localidades do país. Se noutras zonas temos outras festas aglutinadoras da população, a festa do Divino Espírito Santo cumpre este papel, embora não seja oficialmente reconhecido como santo padroeiro da maioria das localidades em que acontece.
Existe um culto pessoal do Espírito Santo, as pessoas recorrem ao Divino em busca dos mesmos milagres esperados dos santos da igreja católica fazendo, inclusive, promessas. Ele não tem atributos específicos, ou seja, não tem um dom específico de cura ou protecção, como é o caso de São Brás que protege a garganta, ou Santo António, que protege os namorados. Por esta razão, ao Divino tudo se pede. Finalmente, o Divino Espírito Santo não tem culto institucionalizado por parte de algum segmento social, seja classe, profissão ou etnia.
Os motivos apresentados nos discursos das pessoas que fazem as festas, para realizá-la remetem, segundo vários autores, a uma firme crença no Divino, reconhecida em toda a nossa zona. E as pessoas que se contactam dizem que “sempre tiveram essa fé com o Divino. E por isso que a festa foi criada e se repete todos os anos. A crença no Espírito Santo explica a festa.
Ela é compreendida como um modo próprio da Moura Morta expressar a sua crença, promovendo os rituais de louvor e homenagem ao Espírito Santo com peditórios, promessas , missa e procissão ou saída do Divino.
Como acontece nas grandes festas, apesar de o momento de maior significado acontecer num único dia, no caso o Domingo de Pentecostes (chamado por todos de “Domingo do Divino”), ela começa bem antes, não apenas no espírito dos participantes, como também nos preparativos e escolhas que devem ser feitas.
Noutros locais, o período que antecede a festa, os momentos mais importantes são o do sorteios dos “encargos do Divino” e a “Coroação do Imperador”.
A Festa do Divino coloca dentro de sistema de acções de trocas e serviços, pessoas socialmente diferenciadas em posições também diversas e muitas vezes interdependentes. Pode-se mesmo dizer que é sobre estas trocas simbólicas de modos de participação que se constitui, na prática, a Festa do Divino. Ela instaura uma transformação não apenas na vida da sociedade local como também na vida pessoal dos participantes, como de resto acontece com todas as festas, mas especialmente com as festas devocionais.
Aqueles que se comprometem com os festejos do Divino redefinem-se, uns para com os outros, ao se integrarem a um sistema de posições e relações que apesar de algumas vezes derivarem de relações que acontecem em outras áreas da sociedade local, somente possuem valor dentro da situação da festa e de seus vários rituais. Isto significa que empregado e patrão, por exemplo, podem ter seus papéis invertidos, reforçados ou anulados no sistema religioso da festa.
Como um ritual religioso e que é, ao mesmo tempo, visto como folclórico, passível de ser entendido como demonstração da identidade local, a Festa do Divino é um acontecimento que deve ter as características do culto ao Espírito Santo e ser organizado de forma a constituir um acontecimento na nossa aldeia.

A missa dominical do próximo domingo realizar-se-à na Capela da Moura Morta pelas 08:00h.

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segunda-feira, maio 23, 2011

Festas do Divino Espirito Santo na Moura Morta

Dia 23 de Maio que se celebra o dia do Divino Espirito Santo na Capela da Moura Morta


Origem e expansão do culto

Sobre as origens do culto e dos rituais utilizados, pouco se sabe. A corrente dominante filia o culto ao Divino Espírito Santo nas celebrações introduzidas em Portugal pela Rainha Santa Isabel, que por sua vez as teria trazido do seu Aragão natal. De facto existem notícias seguras da existência do culto nos séculos XIV e XV em Portugal. O seu centro principal parece ter sido em torno de Tomar (a Festa dos Tabuleiros parece ter aí raiz), localidade que era sede do priorado da Ordem de Cristo, a que foi confiada a tutela espiritual das novas terras, incluindo dos Açores.

IMPÉRIO DO DIVINO ESPÍRITO SANTO
1. História
A instituição das festas do Império do Divino Espírito Santo celebrando o Pentecostes (representação da descida do Paracleto sobre os apóstolos) anda atribuída à Rainha Santa Isabel, na sua vila de Alenquer, em data que não obteve ainda o consenso dos investigadores.
A. Rodrigues de Azevedo adianta, baseado numa escritura que existiu na Câmara de Alenquer, o ano de 1280, enquanto Jaime Cortesão, adoptando sugestão de frei Manuel da Esperança e tendo à vista documentos do Arquivo de Alenquer, afirma ter sido o Convento de S. Francisco da mesma vila o palco da sua primeira realização, em 1323. Outros autores optam pelo Paço da Vila de Sintra sem, contudo, especificarem a ocasião do evento. Porém, já no Compromisso da Confraria do Espírito Santo de Benavente, o mais antigo que se conhece, coevo da fundação da igreja do Espírito Santo dessa localidade que presumivelmente se verificou no primeiro quartel do séc. XIII, se alude à festevidade do Império, o que leva a supôr a sua concretização aí anteriormente a 1280, promovida ou inspirada por franciscanos de tendência espiritual. Os mesmos que secundando o proselitismo de Santa Isabel lograriam levá-la a patrocionar e, porventura, institucionalizar nos inícios do séc. XIV tais festejos com um aparato nunca antes visto, o que terá contribuido para radicar a tradição segundo a qual sob a sua égide e de D. Dinis se haviam originado.
2. Difusão
Tamanho foi o êxito alcançado pelas festividades do Divino Paracleto que rapidamente alastraram por todo o país. A sua vitalidade deveu-se sem dúvida ao facto do culto se ter transformado em devoção popular, com reflexos imediatos na política do estado português.
De resto, o seu apogeu, compreendido entre o séc. XIV e a 1ª metade do séc. XVI, coincide exactamente com o auge da expansão marítima o que não deixa de ser sintomático da íntima relação de causa-efeito, entre ambas as realidades. Jaime Cortesão refere só ter encontrado quatro hospitais colocados sob tal invocação antes de 1321.
A partir desse ano e até ao fim de quinhentos listou cinco centenas de cidades, vilas ou aldeias cuja matriz tinha o Espírito Santo por orago, cerca de 80 hospitais e albergarias com suas capelas, um milhar de conventos, capelas de igrejas e principalmente ermidas daquela invocação. A sobrevivência dos ideias que constituem o fundo desta devoção, a bem dizer nacional, passado o seu apogeu processou-se por intermédio do messianismo do Quinto Império, indevidamente reduzido ao Sebastianismo, o qual, para sua própria assunção e sagração, suscitou tal ambiguidade.
Disso é testemunho a convicção expressa no séc. XVII pelo Bispo de Porto, D. Fernando Correia de Lacerda, quando escreve: "E considerando o Império e a Candeia se é lícito ajuizar as alheias acções, principalmente estas que são misteriosas, não podemos deixar de entender que aquela candeia põe a Santa Raínha todos os anos ao Espírito Santo, para que Deus, havendo um só pastor e um só rebanho, estabeleça, em cumprimento da sua promessa, na coroa portuguesa, o império universal do mundo".

3. Símbolo
O culto do Divino Espírito Santo sob a forma de Império é expressão exclusiva do mundo lusíada (nos Açores e no Brasil conserva ainda a fidelidade às origens) não tendo qualquer similitude com as devoções homónimas que existem por todo o restante universo católico.
A principal cerimónia da Função Folia ou Império, consistia, salvo ligeiras variantes regionais, na coroação com três coroas, uma imperial e duas reais, do Menino Imperador assessorado por dois Reis - um homem jovem e outro idoso -, respectivamente na razão das idades do Espírito Santo, do Filho e do Pai. O Menino, símbolo da humanidade espiritualmente renovada e religada às verdades fundamentais da pobreza evangélica e do amor fraterno, empunhava o ceptro, com que tocando a fronte se significava a benção do divino, e após ter recebido as homenagens do povo e das autoridades civis, militares e religiosas procedia à libertação dos presos, concluindo os festejos com um bodo servido a todos independentemente da sua condição social e constituído por um repasto confeccionado com a carne dos bois previamente corridos, pão, vinho e arroz doce.
O Império do Divino Espírito Santo é, efectivamente, a representação simbólica do advento da Terceira Idade do mundo, numa espécie de Pentecostes nacional, de acordo com a consabida tese que se pode buscar no cisterciense Joaquim de Fiore e nos meios joaquimitas e segundo a qual a história da humanidade percorreria desda a Criação até ao Fim do Mundo três Tempos, vividos cada um sob a influência de uma das três pessoas da Trindade. Assim, a lei mosaica foi própria da Idade do Pai, a lei evangélica da do Filho e a futura lei do Evangelho Eterno sê-lo-á da do Espírito Santo.
O esgotamento da 2ª Idade ou do Filho prenunciará o início do Tempo do Divino Paracleto, era de confraternização universal de cujo advento os portugueses se fizeram arautos, disseminando pelas novas latitudes essas expectativas milenaristas, porém nem sempre da forma mais ortodoxa e conforme aos dogmas romanos. Esse o móbil da perseguição de que os festejos passaram a ser alvo a partir do séc. XVI, nunca o carácter pagão então invocado pela hierarquia eclesiástica e mais tarde pela etnografia arregimentada para mascarar os autênticos motivos. Cada um desses períodos históricos encarnando personalidade própria estaria na origem de diferentes formas religiosas, manifestadas sucessivamente de Oriente para Ocidente.
A sede da Igreja do Pai fora Jerusalém, a do Filho, Roma.
A Terra Santa vindoura onde situá-la? "Nova Roma" chamou Camões a Lisboa. De Mafra se diz que pelo menos durante um dia há-de ser Roma. Seja como for, os iniciados na doutrina dos espirituais franciscanos identificavam-na com Alenquer. Segundo eles essa era a povoação portuguesa que maiores semelhanças tirava de Jerusalém, a qual constitui no círculo judaico-cristão-islâmico o modelo paradigmático da Cidade Santa, a imagem representativa da teofania, i.e., da revelação divina, daí a primazia dada a Alenquer - curiosamente vizinha de Meca - como pólo da religião nacional do Paracleto.

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