quinta-feira, outubro 25, 2018

A Oliveira - a sua distribuição geografica

Distribuição geográfica da Oliveira ... Um trabalho deveras interessante   da Engª Maria Fernanda Franca que nos facilita e enquadra nos conhecimentos técnicos de uma cultura milenar e que convive connosco neste mundo rural.
Com a sua devida autorização publicamos  vários artigos de sua autoria.

A Oliveira - a sua distribuição geografica

Esta cultura milenar, teve a sua origem geográfica num imenso território que vai desde o Sul do Cáucaso até às planícies do Irão, Palestina e zona costeira da Síria. Estendeu-se por Chipre até à Anatólia e através de Creta até ao Egipto, povoando todos os Países da costa Mediterrânica.
Com a descoberta da América, alargou a sua expansão pelo Novo Mundo, cultivando-se também actualmente na África do Sul, China, Japão e Austrália.
O habitat da Olea europaea, tem a sua concentração entre as latitudes 30º a 45 º em ambos os hemisférios Norte e Sul, nas regiões eminentemente de clima Mediterrânico, em que prevalece um clima ameno com realce para a época estival quente e seca.
Relativamente ao panorama oleícola no Mundo, estima-se a existência de aproximadamente 820 milhões de oliveiras, sendo 98% localizado na costa Mediterrânica, ocupando uma área de cerca de 8,2 milhões de hectares (COI,1995).
Embora existam, segundo a mesma fonte, cerca de 50 milhões de oliveiras que beneficiam de água de rega, conclui-se que os restantes se cultivam em sequeiro.
Todavia, apesar de se obter uma média anual de produção na ordem dos dez milhões de toneladas, cerca de 90% se destinam à produção de azeite e os restantes 10%, consumidos sob a forma de azeitona de mesa. Daqui se conclui também, que a Olea europaea sendo uma espécie característica do clima Mediterrâneo está espalhada por todo o mundo, dada a sua rusticidade aliada aos benefícios da sua exploração e multiplicação. Desde os tempos ancestrais – a origem desta cultura remonta a 4000-3000 anos a.C., na zona da Palestina – que o fruto da oliveira era consumido na dieta alimentar sob a forma de azeite ou em fresco sob a forma de azeitona previamente conservada em salmoura, bem como para fabrico de óleos essenciais.

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A Oliveira era considerada símbolo de sabedoria, paz,abundância e glória. Desde tempos remotos, esteve sempre aliada a manifestações, tradições e práticas religiosas, culturais, gastronómicas e medicinais. “Conta-se “ que na Grécia Antiga, as mulheres quando pretendiam engravidar,sentavam-se à sombra das oliveiras durante longos períodos.

Os Egípcios, há cerca de 6 mil anos, atribuíam a uma mulher o mérito de ensinar a cultivar a oliveira. Essa mulher era Ísis casada com Osíris.
No nosso País, no sec. XIII começa então o azeite a ter interesse económico. Mais tarde, são as ordens religiosas, as grandes revitalizadoras da nossa Agricultura, que irão dedicar particular empenho no fabrico do azeite “ Óleo Sagrado”, que virá a ter reflexos no desenvolvimento económico dos conventos, nomeadamente Santa Cruz de Coimbra, Mosteiro de Alcobaça e outras Ordens.

1.Descrição Botânica
A oliveira, Olea europaea L., pertence à Família Oleaceae, que engloba várias espécies de plantas desta Família, disseminadas pelas regiões tropicais e temperadas do Mundo.
Existem cerca de 35 espécies do Género Olea, incluindo a da espécie Olea europaea L. Dada as diferentes correntes de opinião relativamente à subclassificação dentro da espécie, geralmente considera-se a oliveira cultivada pertencente à subespécie sativa e as oliveiras silvestres à subespécie sylvestris.
A Olea europaea L., a oliveira é a única espécie da família Oleacea com fruto comestível.

1.1 Breve descrição morfológica
-Árvore de tamanho mediano, que poderá atingir 8m ou mais, segundo a variedade e de grande longevidade. (existem árvores centenárias).
- O tronco é robusto com bolsas, que lhe imprimem o aspecto tortuoso e com coloração verde a verde acinzentado.
- Copa redonda ou lobulada, com ramificação natural muito densa, daí os diversos tipos de poda serem benéficos, para aliviar a copa e permitir o arejamento e a penetração da luz solar.
- As características enunciadas bem como o porte, são variáveis em função davariedade ou cultivar.

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- Nota-se um polimorfismo na oliveira, devido à existência de fase adulta e juvenil. Esta  diferenciação manifesta-se não só na capacidade reprodutora – fase adulta – como maior equilíbrio entre a parte aérea e radicular.
Também são notórias as diferenças morfológicas a nível foliar e ramos. Nos ramos jovens o entre – nós são mais curtos, pois trata-se da fase de crescimento e formação (fase juvenil) que poderá segundo alguns autores ter como limite o sétimo ano.
- A Folha – Perene. Pode permanecer na árvore 3 ou mais anos, nunca perde as folhas totalmente (semidecídua).
-Simples, limbo com forma lanceolada e inteira. No limbo a nervura principal apresenta-se mais acentuada e as secundárias pouco aparentes, pecíolo curto.
- A dimensão varia entre 3 a 8 cms por 1 a 2,5 cms. Quanto à coloração, na pagina superior verde-escuro e com brilho devido à existência de uma cutícula espessa, na página inferior apresenta coloração prateada com pubescência.
- A inflorescência – Desenvolve-se na axila das folhas dos nós do crescimento vegetativo do ano anterior à floração.
A forma da inflorescência é paniculada, com eixo central do qual saem ramificações, que poderão emitir outras. Cada inflorescência pode conter entre 10 a 40 flores, variando em função dos factores variedade, abióticos e fisiológicos.
Tem dois tipos de flores: perfeitas e imperfeitas. As perfeitas são hermafroditas ou bissexuadas, compostas por estames e pistilo bem desenvolvidos.
As imperfeitas, estaminíferas ou masculinas têm o ovário rudimentar ou ausente, como consequência não podem originar formação de fruto.
A proporção de flores estaminíferas assim como o nº de flores por inflorescências, varia em função da variedade e do ano de produção, pode  chegar aos 50%.

Flor

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Tamanho pequeno, com simetria radial ou regular (actinomorfas). O cálice em forma de pequeno tubo em forma de campânula, branco esverdeado que continua fixo à base do ovário, depois da queda das pétalas. A corola é formada por quatro pétalas brancas ou branco-amarelada.

Fruto
Botânicamente o fruto (azeitona) é uma drupa, com uma só semente.

Composição do fruto; Água (70 a 75% do total da polpa); substâncias gordas (17 a 20 %); açucares frutose e sacarose (3 a 6 % da polpa); ácidos cítrico málico e outros; tanino (1,5 a 2% polpa) -substâncias corantes, substâncias minerais.

Variedade GALEGA
A polinização bem como a fecundação são essenciais para a formação do fruto. Na Olea europaea, também se verifica a existência de frutos de origem partenocárpica, não beneficiam da polinização, estes identificam-se pela sua menor dimensão relativamente aos frutos normais e com forma mais achatada. Não têm qualquer valor económico e caem precocemente.
O fruto é constituído por:
- Endocarpo (constituído por células lenhificadas), parte interior que envolve uma só semente (amêndoa)
-Mesocarpo (polpa) – Carnudo e rico em células parenquimáticas com concentração do azeite nos vacúolos, das células.
-Exocarpo ou epicarpo, parte exterior do fruto, de cores variáveis em função das cultivares e do grau de maturação.
As zonas mencionadas, no seu conjunto constituem o pericarpo, tendo como origem as paredes do ovário.
Possui a forma elipsoidal a globulosa, com cerca 1 a 4 cms medido na longitudinal e 0.6 a 2cms de diâmetro.
Entre variedades de fruto pequeno temos a Galega e a Arbequina e frutos grandes “ Conserva de Elvas”“ Gordal de Sevilha” “Bical de Castelo Branco”.

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Relativamente a variedade Galega, iremos resumidamente focar a sua exploração nas Terras de Sicó.
Variedade Galega e a sua expansão a nível da Região Sicó

Galega – Também chamada galega miúda acuminada, galego miúdo,negrão, negroa.

Difere da variedade Cercial
por apresentar o fruto menor e com ápice acuminado.

Foto: A. Santinho – DRAPC

Em terrenos férteis adquire grande porte.
Sendo a Olea europaea – variedade Galega uma árvore tradicionalmente de sequeiro, agradece alguma água em períodos críticos, como na fecundação das flores, lenhificação do caroço e o engrossar da fruta, o que representa uma mais valia em termos económicos.
Muito rústica, dá fruto com azeite de boa qualidade, quando submetida a um correcto sistema de produção. (tratamentos fitossanitários, fertilizações pontuais, podas, etc.). Evidencia alguma resistência à mosca da azeitona e tuberculose.

Solo
Relativamente a este factor, esta cultivar prefere solos graníticos e xistosos, de textura relativamente finas, francos, calcareo – sílico-argilosos ou argilo-silico-calcáreos.

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Solos profundos, permeáveis, para proporcionarem uma melhor penetração das
raízes em busca da humidade e com capacidade de retenção, mas um ponto
fundamental é existir uma boa drenagem.
É extremamente importante, quando da instalação do olival, o estudo dascondições pedológicas (análise do perfil). Observação da existência de algum horizonte geológico impermeável ou alguma camada freática na zona radicular.
De igual modo atender ao declive e aos efeitos de possível erosão. Verificar ainda a existência de material lenhoso de culturas anteriores, possíveis transmissores de organismos patogénicos, causados por fungos do Género Armillaria mellea, Rosellinia necatrix (Hart.) e Phytophtora spp, que põem em
causa o êxito da plantação.
Como sabemos que a instalação de um olival é um investimento a longo prazo, há que o planear cuidadosamente.
As análises do solo são fundamentais, pH, salinidade, excesso de sódio e toxicidade por boro e cloretos. Os valores desejáveis em pH oscilam entre 6,0 a
7,0.
As correcções das propriedades físicas e químicas do solo quando efectuadas, devem ser  generalizadas a todo o terreno e antes da plantação. Nos terrenos calcários, a Oliveira é mais resistente às doenças e as azeitonas dão origem a azeites mais finos.
Terrenos com grau elevado de fertilidade e ricos em matéria orgânica,determinam maior produção, mas o produto final (azeite) é de má qualidade. Devido a má prática do varejamento, também se torna mais vulnerável à ferrugem e tuberculose
Poda de manutenção ou conservação
Esta prática é de grande importância, como contributo para o normal desenvolvimento do olival em termos técnicos e económicos. No entanto, observa-se em casos pontuais especialmente no pequeno olival da exploração familiar, caso concreto da nossa zona de minifúndio, que esta operação só se verifica quando existe um ano em que a galega “carrega”, ano de safra.
Verificamos também que as recomendações básicas para esta operação não são
totalmente seguidas, tais como:
- Facilitar o arejamento da copa, contribuindo também para uma maior penetração da luz.
-Regularizar a frutificação, a oliveira frutifica nos ramos de segundo ano. Os ramos frutíferos têm mais produção, quanto mais pendentes ou horizontais se encontrarem.

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-Os ramos verticais dão mais vara do que fruto e consomem a seiva direccionada para os primeiros. (frutíferos).
-Quando os ramos frutíferos são em grande número, há competição acesa que determina um enfraquecimento generalizado.
Os frutos ficam pequenos com reflexo na fraca produção de azeite, determinando a alternância na produção (produção de 2 em 2 anos), devido a um ano de repouso para se restabelecer para nova frutificação.
Outro factor que interfere na safra e contra safra é sem dúvida a operação do varejamento ou varejo, em que durante a sua execução são danificados os ramos que iriam frutificar no ano seguinte, comprometendo a produção e resultando assim a contra-safra.
Não tendo fruto e possuindo os elementos do solo à disposição revigora e emitenovos lançamentos e segue-se assim um ano novamente de safra.

Embora estejamos em pleno Sec.XXI, existem conceitos que prevalecem como os conselhos do Eng. Agrónomo Pinto Bravo (A Oliveira-1949)

«A produção e a grandeza são tão maiores quanto mais aproximadas do tronco principal. Cortai os ramos próximos do tronco deixando uns troços de 50cms, destes nascerão novas rebentações vigorosas que escolhereis os melhores e bem posicionados para formarem uma copa em taça, de forma que esta receba ar no interior e luz superiormente.
Não tenhais medo de o fazer porque em breve as oliveiras estarão renovadas.
Não o façais todas no mesmo ano, mas sucessivamente todos os anos para haver equilíbrio na produção.
Varejai se for necessário, com carinho de dentro para fora, ao correr dos ramos para não os partir.

Para vos citar a vantagem da poda, cito-vos um pequeno provérbio:
-Lavrando um olival pede-se -lhe que dê fruto
-Estrumando -o· suplica -se -lhe
-Podando bem força – se a produzir

Realidades e estrangulamentos desta cultura nesta região.

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Sendo uma cultura conhecida pela sua rusticidade, levou o Agricultor a instalaros seus olivais ou oliveiras isoladas em terrenos com menos aptidão agrícola e de sequeiro.
Ainda hoje se verifica a existência de oliveiras como bordadura a delimitar a parcela.
Quando o solo era de melhor qualidade, já se consociava com outras culturas, como cereais (aveia, milharada, pastagens e até hortícolas (batata temporã) leguminosas (chícharo, fava etc.).
Como a oliveira é bastante exigente em Potássio Fósforo e Boro, era beneficiado com o adubo composto (1.2.2. ou 1.1.1.) utilizado muitas vezes por hábito ou tradição. Por outro lado o azoto era aplicado no início da Primavera. Quando havia exagero na dosagem, reflectia-se mais tarde na maturação da azeitona e numa maior susceptibilidade a determinados agentes patogénicos. Atualmente, já se verifica uma maior predisposição para os tratamentos fitossanitário especialmente para a (Dacus olea) mosca e (Gloesporium olivarum) gafa, pois os efeitos reflectem-se com evidência, na melhoria das qualidade e quantidade de azeite produzido.
Assim as fertilizações não eram específicas para o olival mas sim por via indirecta, incluindo as adubações em verde (siderações). Como se efectuavam mobilizações do solo antes das plantações, recorria-se à mecanização para efectuar a lavoura e a fresagem, em detrimento da gradagem  cruzada, indo interferir negativamente sobre o sistema radicular (vulgarmente designadas por “pastadeiras”) raízes adventícias localizadas mais superficialmente responsáveis pela absorção dos nutrientes do solo para a planta e ainda contribuindo para alteração das estruturas do solo.
Na década de 90 assistiu-se ao arranque de muitas e grandes parcelas de olival de variedade galega, diminuindo assim a área de implantação desta cultivar. Os motivos que levaram a esta acção deve-se segundo constatámos:
-Desertificação de algumas zonas marginais, nos Concelhos de implantação e confinantes como Miranda do Corvo, Lousã, devido ao êxodo dos jovens para os grandes centros, onde tinham a sua actividade laboral que lhes proporcionava um maior desenvolvimento socioeconómico.
-Divisão acentuada da propriedade (zona de minifúndio), que dificultava/a mecanização.
-Plantações antigas e desordenadas, cuja recuperação se tornava onerosa.
-Transmissão de propriedades com vários herdeiros.
-Envelhecimento e escassez da mão-de-obra
- Aumento geográfico dos Concelhos traduzido por instalação de prédios urbanos em zonas vocacionadas à agricultura.

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-Outras reestruturadas com novas variedades, mas que tinham ser dotadas de água de rega, através de projecto, etc.
- Na época da colheita, mão-de-obra escassa e cara, cujo rendimento em azeite não compensava o investimento da colheita, dado a quantidade e qualidade do azeite.
- A apanha mecânica (por vibração) para esta variedade está para já fora de questão, dado os condicionalismos existentes, nomeadamente o difícil desprendimento do fruto bem como a maturação não ser homogénea. Ter-se-ia de efectuar faseadamente, o que tornava uma acção incomportável
economicamente.
-Investimento grande em máquinas específicas, só suportáveis por Associações.
- Sob o ponto de vista sanitário, dado o grande porte que a oliveira atingia os tratamentos não se realizavam.
-Actualmente graças à instalação de novos olivais, já existe uma maior sensibilidade, pois verificam os benefícios de um método de produção racional. Sendo uma cultura protegida, o olival só poderá ser arrancado se o Proprietário estiver autorizado conforme o estipulado pelo D. Lei nº 120/86.

CULTURAS PERMANENTES DA REGIÃO
- A implantação do olival
SICÓ FRUTOS
SECOS

OLIVAL VINHA Outras
Culturas

TOTAL
Explorações 287 8 143 8 973 2 336 10 810
Área (há) 68 7 537 2 674 329 10 608

Fonte:INE -Rec.Geral 1999
Analisando os dados referenciados, verificamos que entre as culturas
permanentes o olival ocupa cerca de 71% da área agrícola enquanto a vinha se
estima em cerca de 25%.
RELATIVAMENTE às culturas temporárias (segundo a mesma fonte) as que mais
se destacam, são as culturas forrageiras e as de cereais para grão.

MÉTODOS DE MULTIPLICAÇÃO

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Embora existam outros métodos de propagação da Oliveira Galega, como: Estaca lenhosa, que consiste no enraizamento de ramos do material lenhoso mais velho, colhido na época de contra safra, possuem mais reservas nutritivas, com cerca de 2 a 6 cms de diâmetro e cerca de 30 a 40 cms de comprimento,colocados no local definitivo.

-Também temos conhecimento (junto dos Produtores de material de viveiro), da tentativa de propagação através de estacas herbáceas com cerca de um palmo de comprimento (20cms), com 4 a 5 folhas, previamente tratadas com auxinas, colocadas em substrato com perlite e vermiculite, em banca de cimento aquecida, instalada em estufa. A dotação hídrica era efectuada por nebulização
intermitente. Não houve sucesso com esta metodologia de propagação na variedade galega.
-Vamos então encontrar a propagação da galega por processos tradicionais. Este tipo de propagação actualmente, está limitado a um número reduzido de Produtores. Método efectuado por pessoas mais idosas, que preenchiam os seus dias de Inverno, preparando a “toiça” cuidadosamente com ajuda de uma serra e machado. Trabalho moroso, com alguma sensibilidade e saber. Devido a estes
condicionalismos o nº de plantas produzidas era bastante diminuto relativamente à procura.
No entanto estamos a assistir ao ressurgimento deste tipo de propagação, já que temos jovens na actividade que com o apoio da experiência e saber fazer dos mais velhos, aliada à grande procura da oliveira Galega estão a começar a desenvolver um grande trabalho no sector.
Metodologia da propagação por”Toiça” ou “Touça”
A “toiça” parte subterrânea (Fig.1), com bastantes tumefacções pródigas em substâncias de reserva é fragmentada. Em seguida com ajuda de serra de mesa (foto 2) é cortada em pequenos cubos
com 3 a 4 gomos cada.

Fig.1 Fig.2

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Fotos F. Franca

Fig.3 Fig.4-Parte utilizada

Estes cubos (fig.3) ou são colocados em viveiro ao ar livre em Fevereiro/Março, a cerca de 8-10cms de profundidade, ou então em vaso com substrato em estufa.

Associação de Olivicultores da Serra de Sicó

Caracterização do Azeite do Sicó

Azeite obtido do fruto da Olea europea L., variedade Galega por processos unicamente mecânicos, colhidas nos olivais da Região de Sicó com um máximo acidez de 0,8% para o azeite virgem extra e 1,5% para o azeite virgem. São azeites ligeiramente espessos, muito frutados, com cor amarela ouro, por vezes ligeiramente esverdeada, com um sabor e qualidade organoléptica inigualável.

A Associação de Produtores Olivisicó, com sede em Ansião, possui cerca de 240 agricultores associados e uma mancha de olival bastante significativa nos oito mil hectares daquela zona.

Ainda existem lagares tradicionais alguns já objecto de reconstrução e outros dotados com as
novas tecnologias do fabrico do azeite.
Actualmente o nº é diminuto, relativamente ao passado. De linha contínua, segundo informação, existem dois lagares na zona de Ansião e um no Concelho de Penela.

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Recentemente os produtores engarrafadores, colocam no mercado azeite biológico certificado, com controlo de qualidade.
Quanto ao escoamento deste produto, constata-se uma grande comercialização directamente a particulares sob a forma de azeite e de azeitona para conserva e a empresas engarrafadoras.
O mercado da “saudade” para Países onde a emigração é uma realidade é um veículo de expansão para outros Países, nomeadamente Brasil.

Março de 2010
Maria Fernanda Oliveira da Franca
A azeitona Galega é hoje, a mais procurada em termos

quarta-feira, agosto 29, 2018

O Coimbrinhas da actualidade

Uma analise interessante do poeta e Professor Carlos Carranca sobre os Coimbrinhas das novas gerações. Um homem da Lousã.
O ILUSTRE COIMBRINHA
O problema principal do "coimbrinha" é sê-lo. Olha para a Torre da Universidade e diz "ainda está lá no cimo, estamos protegidos pela divina graça da ilustração". Vive como se a cidade fosse o universo e a Universidade o seu centro. Tudo gira à sua volta. 
O problema do " coimbrinha" é que é uma raça danada que leva e tráz e não acrescenta em valor, mas em doutores. Exibe erudição e retórica mas tem dificuldade em demonstrar hoje que sabe pensar. 
O problema do "coimbrinha" é conviver em português mas preferir línguas mortas.
E está convencido que se fala mais correctamente em Coimbra que nas outras cidades do país. 
O problema do "coimbrinha" é que perdeu o país e não ganhou a cidade. 
O problema do "coimbrinha" é que desenraizou e já não há adubo que lhe valha. Está perdido de si mesmo e não conhece a história contemporânea da cidade que habita.
O problema do "coimbrinha" é, faça o que fizer, nunca se comprometer. O problema do "coimbrinha" é que deixou há sessenta anos demolir a Velha Alta, com a mesma irresponsabilidade como deixa hoje a Baixa.
O problema do "coimbrinha" é que é escolástico sem ter tido escola. 
O problema do "coimbrinha" está em viver dos pergaminhos mas desconhecer a respiração da cidade. 
O problema do "coimbrinha" confunde-se perigosamente com o que resta do espírito do lugar.
Mas, felizmente, há excepções que habitam a cidade e lhe emprestam a luz que foi perdendo e não são "coimbrinhas " e acredito que sejam muitas.
Carlos Carranca
28.8.2018

quarta-feira, agosto 15, 2018

Arruda - Planta aliada contra as varizes e diminui a ansiedade

arruda-e-aliada-contra-as-varizes



Planta só pode ser consumida após orientação de médico ou nutricionista, o consumo sem recomendação pode gerar problemas de saúde
A arruda é uma planta aromática e pertence à família Rutaceae. Ela tem origem européia e um cheiro intenso, é considerada um herbácea, utilizada desde a antiguidade, muito conhecida também na medicina natural e para o preparo de sucos. Em algumas religiões de matriz africana, ela é muito utilizada, pois acreditam que tenha o poder de afastar mau-olhado, no entanto isso não é comprovado cientificamente.
Nutrientes
A arruda conta com boas quantidades de rutina, substância que aumenta a resistência dos vasos sanguíneos. Ela ainda facilita a absorção da vitamina C, nutriente que também está presente na arruda e que ajuda a melhorar a imunidade. O óleo essencial que contém undecanona, metilnonilcetona e metilheptilcetona também estão presentes na arruda e possuem propriedades calmantes.
A planta ainda conta com quercetina que tem propriedades analgésicas e psoraleno, que é empregado em casos de vitligo e psoríase. A alantoína, que é responsável pelo efeito cicatrizante, está presente na arruda.
Benefícios em estudo da arruda
Boa contra varizes: A rutina presente na arruda é responsável por aumentar a resistência dos vasos sanguíneos, evitando rupturas. Por isso a planta é utilizada no tratamento contra varizes. Contudo, o uso da arruda deve ser só tópico.
A arruda é aliada contra as varizes
Diminui a ansiedade: A arruda possui o óleo essencial, que contém undecanona, metilnonilcetona e metilheptilcetona. Quando essas substâncias são aspiradas, elas possuem propriedades calmantes e diminuem a ansiedade.
Diminui dores: A arruda também é muito utilizada para aliviar dores de cabeça. Isto porque ela contem um óleo essencial com undecanona, metilnonilcetona e metilheptilcetona, todas essas substâncias possuem propriedades calmantes ao serem aspiradas e aliviam as dores.
Quantidade recomendada
O consumo de cerca de 30 mg de arruda por dia não apresentou nenhum dano à saúde de pessoas saudáveis e que não estavam grávidas.
Efeitos colaterais
A arruda em contato com a pele e a exposição solar pode causar bolhas na pele. Isso foi observado em pessoas que apanham a arruda fresca e também em quem esfrega a arruda fresca na pele como um repelente de insetos. O óleo volátil da arruda é irritante, podendo resultar em danos renais e degeneração hepática se ingerido.
Riscos do consumo em excesso
Ingerir mais de 100 ml de óleo de arruda ou aproximadamente 120 gramas de folhas da planta em 1 única dose podem causar uma dor gástrica violenta, vômito, e complicações sistémicas, incluindo a morte. A ingestão oral de 400 mg por kg administradas às cobaias animais foi relatada ser fatal, causando hemorragias das glândulas adrenais, do fígado, e do rim.
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quarta-feira, julho 11, 2018

“Praia Acessível” no Rio Alva . O que se faz noutros Concelhos

O que poderia acontecer na Moura Morta. A centralidade da sede do Municipio não tem permitido que se olhe para as praias fluviais do Concelho, como outross que previligiam a proximidade da agua. O Concelho de Oliveira do Hospital tem feito um trabalho nesta area realçando a importancia das suas praias fluviais quer no Rio Mondego, quer no Rio Alva.
Qual sería o investimento para que se fizesse o mesmo na Moura Morta?
Galardão de “Praia Acessível” em S. Sebastião da Feira no concelho de Oliveira do Hospital. A Praia Fluvial de S. Sebastião da Feira, hasteou esta tarde a bandeira de “praia acessível”, renovando o galardão pelo segundo ano consecutivo. O presidente da União de Freguesias de Penalva de Alva e S. Sebastião da Feira, deu conta da sua satisfação pela renovação da bandeira, que atesta a existência de condições para que todas as pessoas, mesmo as de mobilidade mais reduzida, possam aceder às águas do rio Alva. “Para nós é uma satisfação, podermos colocar ao dispor dos cidadãos da freguesia e desta região uma praia com todas as condições, para que possam usufruir das águas do rio Alva”. A colocação de “estrados” até à água é um dos exemplos da acessibilidade, que é proporcionada na praia de S. Sebastião da Feira, que não desiste do objetivo de poder contar com uma cadeira anfíbia. “Este ano ainda não foi possível, mas esse vai ser um dos nossos objetivos. Se calhar, o principal objetivo do próximo ano”, referiu. O autarca não escondeu, porém, a “mágoa” pelos prejuízos que resultaram do grande incêndio de 15 de outubro e que afetaram esta zona balnear. Situação que obrigou a que tivesse que voltar a ser feito um trabalho “quase do zero”. “Todas as infraestruturas que tínhamos, tudo ardeu. Isto foi tudo quase começar do zero. Há aqui um grande trabalho, um grande investimento da nossa parte”, afirmou Rui Coelho em declarações à Rádio Boa Nova, considerando que a sua preocupação é “dar muita vida ao Vale do Alva, pelo menos na época balnear”. Para o vice-presidente do Município de Oliveira do Hospital, a praia fluvial de S. Sebastião da Feira “é um ganho” para o concelho. O autarca destacou, em particular, o esforço e investimento levado a cabo pela Junta de Freguesia que quase em tempo record, conseguiu recuperar o espaço que, no passado dia 15 de outubro, foi penalizado pelo incêndio e “há cerca de um mês sofreu uma enxurrada de cinza e lama”. Um trabalho que permite que, hoje, os visitantes desfrutem de “um espaço acolhedor e apetecível, com um belíssimo espelho de água e infraestruturas de apoio”. O responsável adiantou, também, que a praia fluvial de S. Sebastião da Feira integra, a partir deste mês de julho, o grupo das praias fluviais da Rede das Aldeias de Montanha. O hastear da bandeira de praia acessível em S. Sebastião da Feira ficou marcado pelo “mergulho coletivo”, protagonizado por um grupo de crianças e jovens que ali marcou presença, no âmbito do programa Férias Ocupadas, promovido pela Biblioteca Municipal de Oliveira do Hospital.

sexta-feira, junho 29, 2018

Um ano depois de Pedrogão está quase tudo na mesma

Um ano depois de Pedrogão está quase tudo na mesma 
António Cláudio Heitor 22/6/2018,
Continuamos a ter um Mundo Rural planeado e ordenado por políticas públicas de cariz meramente administrativo e que não reconhecem as especificidades das zonas rurais do nosso País. Se em 2016 a resposta a um ano mau em termos de incêndios foi mais um pacote legislativo apelidado de reformador, após a tragédia de 2017 a reposta não poderia ser a mesma. Foi constituída uma Comissão Técnica Independente que elaborou dois relatórios sobre os acontecimentos de Junho e de Outubro. Esses documentos seriam o guião para o futuro, mas infelizmente não foram. Optou o Governo por alterar mais uma vez o Decreto 124, a famosa gestão de combustíveis mais conhecida por limpeza da floresta.
Esta alteração reforçou a restrição e a punição daqueles que não cumprem com as prescrições técnico-administrativas que emanam desse documento. O objectivo dessa alteração não foi a sua melhoria técnica, foi sim, em traços muitos gerais, “limpar” a floresta para que em 2018 não se repita a tragédia.
  Ou seja, primeiro repete-se muitas vezes que a “floresta suja” é a causadora do problema, depois manda-se limpar e assim quem decide já pode dizer que a culpa não é sua, é de quem não limpa. Assim andou um País ocupado durante largos meses a discutir a necessidade de limpar ou não a floresta, perdendo tempo em conversas surdas, gastando recursos e dinheiro a cortar erva e mato para que este volte a crescer e torne a ser cortado.
Tudo acompanhado por directos e reportagens mostrando como todos são bons alunos e cortam. Mas e a Reforma Florestal de 2016? A discussão sobre a vitalidade da Floresta e do Mundo Rural onde ficou? Perdeu-se na cacofonia da discussão à volta da prevenção e do combate, que invariavelmente acaba por se transformar na conversa dos meios aéreos que fazem falta. Mas e os Relatórios da CTI? Foi constituída uma Agência e os fogos já não são florestais, são rurais. Mas os Relatórios só propunham isto? Claro que não, propunham muito mais. Mas o problema é sempre o mesmo: um Estado Central pesado, burocrático, administrativo, sem capacidade de intervenção e sem vontade de perder um protagonismo que já não tem e se calhar nunca teve: o de estratega do Mundo Rural. Assumir que as pessoas precisam que o País lhes ensine a gerir o território é um erro, pois desde sempre as comunidades rurais souberam qual a forma mais eficiente de gerir o campo e as suas matas. Esse Estado pesado e lento nunca percebeu que as actividades rurais não precisam de estratégias urbanas e de índole de planeamento de infraestrutural. Precisam sim de políticas de promoção e dinamização das actividades económicas que contrariem a burocracia e o excesso de tecnocracia. Um exemplo dessa falta de lógica das Políticas Florestais está na perseguição às espécies de rápido crescimento apenas baseada em critérios e considerações morais e éticas. Ao invés de definir para essas e para as todas as espécies, quais as zonas indicadas para cada um desses sistemas produtivos, a máquina continua a produzir medidas meramente administrativas. Em vez de definir quais as zonas adequadas para cada espécie, baseados em produtividades, custos de produção, canais de escoamento e na criação de valor para os proprietários, são criadas regras abstractas para regular actividades concretas. Um bom exemplo é a escolha cíclica na biomassa para energia sem saber produções, custos e necessidades de mercado. São estas sucessivas campanhas sensacionalistas que transformam a legislação num caos de regras muitas vezes contraditórias entre si.
E tudo começa pela definição do objectivo. O famoso cadastro é bem o exemplo, pois ninguém dúvida da sua utilidade, o problema está na razão para a escolha desta bandeira. Ao escolher a falta de cadastro como problema central para a falta de dinamismo do sector florestal, o tal Estado pesado aproveita para esconder as suas responsabilidades, passando-as para os proprietários. Ao mesmo tempo esse cadastro serve para quê? Para identificar os proprietários que não limpam, que não cumprem a tal legislação da limpeza. Ou seja, o cadastro não serve como ferramenta de promoção da gestão florestal. Serve sim como ferramenta de caça à multa. 
Outra forma errada de abordar o problema é a criação sistemática de novos modelos de organização de proprietários sem avaliar e reforçar os que já demostraram serem eficientes e robusto. Aliás esta falta de avaliação de políticas e instrumentos é bem demonstrativa da rigidez das Políticas Públicas Rurais.
Infelizmente passados quase dois anos e mesmo depois de tudo o que aconteceu em 2017, pouco ou nada mudou. Continuamos a ter um Mundo Rural essencialmente privado planeado e ordenado por políticas públicas, políticas essas de cariz meramente administrativo e que não reconhecem as especificidades das zonas rurais do nosso País.
 Mais grave é continuarem sem perceber como as pessoas usam o espaço rural e não continuam sem prever como o irão fazer no futuro, sabendo que algumas terão menos pessoas e outras mais. Enquanto essas Políticas não se centrarem nas pessoas e teimarem em não promover as suas actividades rurais, continuaremos a assistir ao abandono das aldeias e vilas do nosso interior (cada vez mais próximo do litoral).
Enquanto não se resolverem os problemas do pouco dinamismo das economias rurais mais tarde ou mais cedo vamos voltar a passar por anos como 2017.
 Técnico florestal

segunda-feira, abril 23, 2018

E o Negro que nos sobrou....










O Verde das nossas terras...antes do Fogo de Out 2017







Ainda se faz muito boa brôa nos fornos da Moura Morta

S. João faça bom pão,
S. Vicente te acrescente.
Cresça o pão no forno, haja paz no mundo e na casa do dono... 
Amém 🙏
Foto de 1001 TopVídeos.

segunda-feira, março 19, 2018

Mais um dia marcante na nossa aldeia



Imaginem uma aldeia*** com 50 habitantes, que está inserida numa freguesia, conjunto das 7 aldeia que pouco mais tem que 150 habitantes, n’um concelho do interior que agora chamam de "baixa densidade populacional". 
O que acontece quando vão a essa aldeia***, 47 “jepes”?
Eu sei que o termo não é o correcto, o meu amigo João Coimbra faz questão de me corrigir sempre, mas é assim que as pessoas por aqui os tratam os todo-o-terreno que nos Inverno lhes tapam os “a-bueiros”.

Com a visita de 47 Land Rovers, mais de 120 pessoas isto será tema de conversa e de orgulho os próximos tempos. Mesmo que por um dia, a população mais que triplicou.

No Centro de Convívio, essa conversa já começou este domingo durante o jogo da sueca e com as conversas ao balcão e à lareira:

  •  “Eu é que não ia lá dentro”. 
  •  “Já viste onde eles subiram”. 
  • “Aquilo não deve travar nada, se for como os da tropa”. 
  •  “Quero ver é agora a descer”.  
  • “Deus queira que aquilo chegue a Poiares”.  
  • “Vieram de Braga porque vieram desengatados agora quero ver a subir”.  
  • “A malta dos pronto Socorros é que vai ter sorte”.

Para a próxima o Rio Alva estará mais calmo e naturalmente retomará ao seu leito, no seu percurso habitual, permitirá usufruir da nossa praia fluvial e das estradas nas margens do Alva.  Foi um prazer abrir as portas do Centro de Convívio, a esta malta, partilhar a camaradagem, alegria e momentos de boa disposição.

Obrigado
Luis Filipe Santos
(Presidente do Centro de Convívio da Moura Morta)

*** - A Moura Morta é uma aldeias mais antigas com foral entre Linhares da Beira e Coimbra, com mais de 850 anos de história , cujo nome foi atríbuido por D. Afonso Henriques no ano de 1151.





sábado, janeiro 20, 2018

A Lagarta do Pinheiro - Processionária

A Lagarta do Pinheiro
Com a alteração das condições climatérias verificadas nos últimos tempos, a praga das processionárias, ou lagarta do pinheiro, tem crescido.
Estas lagartas libertam milhares de pêlos que são uma ameaça à saúde pública, pelo que exigem uma vigilância constante. As consequências possíveis são alergias, urticárias, pruridos e manchas avermelhadas na pele, bem como irritações nos ohos (olhos avermelhados, inchados e com comichão) e dificuldades respiratórias.

As lagartas libertam urticantes que se espalham pelo ar e que podem causar graves reacções alérgicas aos animais e ao Homem que, em casos extremos e raros, podem levar à morte. Se tiver um animal e notar alguma alteração (geralmente na coloração da língua, focinho inchado, comichão no focinho, ou ao redor dos olhos, e dificuldades respiratórias) deve recorrer ao médico veterinário.
Curiosidade: Chama-se processionária porque constrói longas procissões de lagartas que caminham das árvores, no sentido do solo, para crisalidar (período em que as lagartas fazem uma espécie de hibernação, em estado de crisálidas, para depois se transformarem em borboletas).
  A lagarta do pinheiro, vulgarmente apelidada de lagarta Processionária - com o nome científico de Thaumetopoea pityocampa - é um insecto desfolhador dos pinheiros e cedros.
 Como tal, leva a um enfraquecimento da árvore e, consoante o grau de ataque, poderá causar-lhe a morte. A processionária do pinheiro, além de provocar estes danos nas árvores, pode também originar graves problemas de saúde pública. 
Devido à característica urticante dos seus pêlos provoca alergias na pele, no globo ocular e no aparelho respiratório no Homem e pode originar o mesmo em animais domésticos. É aconselhável a todos – especialmente crianças – sempre que virem lagartas semelhantes às mostradas nestas fotografias, nas árvores ou no solo, a não lhes tocarem. Como forma de prevenção e de controlo do desenvolvimento desta praga, deverá proceder-se a tratamentos preventivos e curativos, com a utilização de métodos microbiológicos, biotécnicos e mecânicos.

 Com estas medidas espera-se uma diminuição dos danos provocados pelas lagartas de Processionária e um controlo da disseminação desta praga. O grau de desenvolvimento das lagartas está directamente relacionado com as condições climatéricas existentes. Quando o Inverno é seco e de céu descoberto, acelera o ciclo de desenvolvimento das lagartas, nesses casos em Dezembro já existem muitas lagartas no solo, quando isso só costuma acontecer no fim do Inverno (meados de Fevereiro). O Ciclo Biológico da Processionária O ciclo biológico da processionária completa-se, geralmente, num ano, distinguindo-se duas fases: uma aérea na copa dos pinheiros e outra subterrânea, no solo.
 Como todos os insectos, o desenvolvimento da lagarta passa por diferentes estádios. As lagartas de processionária passam por cinco estádios, e é a partir do 3º estádio que se tornam perigosas para a saúde pública. Lagartas nos 1º e 2º estádios de crescimento Normalmente ocorre no período do Outono (meados de Setembro/finais de Outubro). As lagartas jovens vivem em ninhos provisórios, que vão sendo abandonados até à formação de um ninho definitivo (ninho de Inverno), onde aí vivem em colónia e se protegem das baixas temperaturas. Neste estádio, os tratamentos químicos são bastante eficazes. Normalmente, são usados dois grupos de produtos, sendo estes de baixa toxicidade e inócuos para o ambiente, são estes:
 • Diflubenzurão- São inibidores do crescimento, sendo o mais usado o Dimilin;
 • Insecticidas microbiológicos- à base de Bacillus thurigiensis; • Lagartas nos 3º ao 5º estádio Normalmente ocorre no período de Inverno. As lagartas neste estádio estão em crescimento activo, constróem os ninhos de Inverno - tendo um aspecto de novelo de seda - e mantêm os hábitos de alimentação nocturna, permanecendo no ninho durante o dia (este funciona como acumulador térmico). É nestes estádios que surgem os pêlos urticantes. O seu tratamento é mais difícil, uma vez que nesta fase a lagarta já revestiu o seu corpo de quitina (endurecimento) e os tratamentos químicos já não vão actuar tão eficazmente, sendo necessário, como meio de combate a destruição mecânica dos ninhos (retirada mecânica do ninho - após a retirada, o ninho deve ser queimado)

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