domingo, novembro 26, 2017

Recordando Monsenhor Nunes Pereira

Padre Augusto Nunes Pereira 
Nasceu na Mata, pequena localidade à beira do rio Ceira, a 03 de Dezembro de 1906. A sua infância é passada entre esta aldeia e Fajão, onde frequenta a escola primária. O facto de seu pai ter sido uma escultor santeiro reconhecido, não deixou, por certo, de influenciar a atracção que, desde cedo, sentiu pelas artes. Foi ainda na escola primária que esculpiu na madeira, com um canivete, a primeira figura.  Minha mãe foi uma grande mulher. Tendo enviuvado cedo, ficou com uma casa de lavoura a seu cargo e, mesmo assim, conseguiu mandar-me para o Seminário, com dinheiro emprestado”.
Do contacto com a paisagem da Serra do Açor ficou-lhe a apetência por materiais como a madeira, os seixos e as torgas. Da vivência da aldeia, o gosto pela cultura popular. Durante vinte anos preparou as vinte e cinco tábuas que ilustram “Os Contos do Fajão”, de tradição oral.
Em 1977, em reconhecimento do valor da sua obra, abre ao público em Fajão um museu que lhe é dedicado.
 Entre 1919-1929 esteve no Seminário Maior de Coimbra. Nestes anos se forjou o padre, o artista, o jornalista e o estudioso que nunca mais deixaria de ser.
Terminado o curso e recebida a ordenação foi mandado para a paróquia de Montemoro-Velho, onde esteve de 1929 a 1935.
Em Coja (1935-1952), revelou-se a riqueza da personalidade de Nunes Pereira, estendendo-se a sua acção aos mais diversos domínios. A sua sensibilidade como artista e 2 talento de artífice foram amplamente colocados ao serviço da igreja como provam os altares, confessionários, pinturas a óleo da Igreja Matriz e frescos da sua autoria. A casa onde habitava, “A Casa do Pombal”, serviu para a promoção de actividades culturais. Nela, Nunes Pereira, o professor José Alves e o médico Dr. Santos Júnior (conhecidos pela “trempe”), facultaram à população cursos de música, desenho artístico e técnico e até ginástica.
 Nunes Pereira é nomeado pároco de S. Bartolomeu a 13 de Janeiro de 1952 e aí se manterá até se aposentar em 1980.
Passa a residir na Casa Paroquial , anexa à igreja, onde tinha o seu atelier, conciliando o exercício do seu múnus pastoral com um crescente interesse pelo cultivo das artes, desde a poesia à escultura, passando pelo desenho, pela aguarela, pelo vitral e sobretudo pela xilogravura, especialidade em que se viria a tornar possivelmente no melhor artista português da segunda metade do Séc. XX. A permanência nesta cidade permitiu-lhe um envolvimento mais directo com o meio artístico, tendo sido um dos fundadores do Movimento Artístico de Coimbra.
 Ainda residente em S. Bartolomeu (1980), manda construir uma casa na Portela do Mondego, periferia de Coimbra.
Em 1981, foi nomeado membro da Comissão de Arte Sacra e Conservador do Património Artístico da Diocese de Coimbra. Como Vigário Geral da Diocese durante a década de 70, dedicou-se ao estudo de monumentos em locais de culto e participou no inventário cultural de arte sacra.
Foi também nestes anos que desenvolveu de forma sistemática o trabalho de jornalista no “Correio de Coimbra”, em cuja redacção permaneceu durante vinte e dois anos,
Faleceu a 01 de Junho de 2001.

Caricaturou em em 1993 vários mouramortinos num almoço-convivio no Pego Negro.


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