terça-feira, junho 27, 2017

As Vias Romanas na nossa zona.

Coimbra (AEMINIUM) - Bobadela (civitas)
 Este eixo viário ligava Coimbra a Bobadela, continuando depois pela vertente ocidental da Serra da Estrela até Celorico da Beira e daqui à capital da civitas Aravorum em Marialva, percorrendo o Vale do rio Mondego por Seia e Gouveia, onde cruzava com a via Viseu - Mérida; de Bobadela também poderia rumar a Espanha em direcção a Ciudad Rodrigo e Salamanca;
 esta via era designada por «via Colimbriana» na Idade Média («strada Colimbrie» nas Inquirições de 1258, PMH Inq 782) e corresponde aproximadamente ao trajecto da actual «Estrada da Beira» ou EN17 pela Ponte da Mucela que poderá ter origem romana, mas os parcos vestígios não permitem definir um traçado seguro; esta via, ou conjunto de vias, teria importantes ramificações para as explorações aluvionares do rio Alva, com prováveis travessias em Arganil, junto do acampamento romano da Lomba do Canho e em Coja, onde se encontrou um miliário, indo entroncar na Via Bobadela a Alvega/rio Tejo que percorre os altos da serra a sul do rio Alva. Variante pela Ponte da Mucela/Estrada da Beira (EN17) Coimbra (sai pela Porta de Belcouce que seria junto da ponte moderna e rumava a leste ao longo da margem direita do Mondego pela Couraça Estrela, rua da Alegria, antiga «Via Longa», rua do Brasil, Arregaça, Vila Franca e Portela do Mondego) Travessia do rio Mondego junto à foz do rio Ceira? (continua pela EN17 (?) ao longo da margem direita do rio Ceira até Foz de Arouce, desviando depois para nordeste por Ponte Velha de Covelos) S. Miguel de Poiares (provável mutatio a X milhas de Coimbra; albergue medieval; continua pela EN17 para Lavegadas) 
A mutatio de Poiares estaria no cruzamento com uma outra via que seguia para a Barca de Penacova, onde atravessava o Mondego, continuando depois pelo carrale que é referido num documento do ano 998 (PMH DC 179) até Penacova (epitáfio de Frontoni embutida na sacristia da igreja matriz). No outro sentido, esta via poderia seguir para a travessia do rio Ceira junto a Serpins e daqui aceder à região mineira da Serra da Lousã.
Serpins é referido como «uilla serpinis» num documento do ano 961 (PMH DC, nº 83) e poderá corresponder aos vestígios do Povoado romano do Cabeço da Igreja (2 inscrições sepulcrais; vestígios dos pilares da antiga ponte medieval). Ponte Romana-Medieval da Mucela sobre o rio Alva (alguns silhares almofadas da antiga ponte romana a jusante foram reutilizados na sua reconstrução; continua pelo caminho da Qta. da Carvalha até reencontrar a EN17; em alternativa a travessia do Alva em época romana poderia fazer-se em Moura Morta, onde há uma ponte sobre a ribeira de Sabouga com possível origem romana e a respectiva calçada que segue para Moura Morta; vestígios de antiga exploração aluvionar) S. Martinho da Cortiça (segue a EN17 por Sobreira, Cortiça, S. Martinho, Poços, Catraia dos Poços, onde recebia a eventual via proveniente do Porto da Raiva, e Moita da Serra; em Sanguinheda existe o topónimo «rua da Calçada Romana») Carapinha (segue a EN17 por Venda da Serra, sai da EN17 por Venda do Vale, reencontra a EN17 pouco antes da Cruz de Espariz, continua por Gândara de Espariz, Venda do Porco e ao km 66 segue à esquerda pela EN230-6 que vai para Covas) Ponte Romana de Bobadela sobre o rio de Cavalos (junto do cemitério) Bobadela (civitas) Continuação de Bobadela a Celorico da Beira: a via deveria continuar rumo a Celorico da Beira seguindo pelo vale do rio Mondego na vertente ocidental da Serra da Estrela, passando próximo de Seia e Gouveia; ver Itinerário Celorico - Bobadela. Ligação à via Braga-Mérida: esta via seguia a noroeste de Oliveira do Hospital algures por Venda de Gavinhos, Lajeosa, Meruje (junto do possível vicus na Capela de S. Bartolomeu), Várzea e Catraia de Assamaça, rumo ao Castro de S. Romão em Seia, contornado depois a vertente sul da Serra da Estrela por Loriga e Unhais da Serra até Covilhã, e daqui à via para Mérida (vide Itinerário Seia - Covilhã) Variante por Porto da Raiva Segundo J. de Alarcão, poderia existir uma alternativa por via fluvial ligando Coimbra ao Porto da Raiva (tesouro no Cabeço da Morgueira; microtopónimo Vale do Carro), seguindo depois por via terrestre por S. Pedro de Alva, Cruz do Soito e Catraia dos Poços, onde conflui com a variante pela Ponte da Mucela (EN17).

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